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Recomendamos

 

 

Aqui ficam algumas sugestões de leitura...

 

 

 

 

 

 

Criaturas da Noite - Lázaro Covadlo

Criaturas da Noite

Certa noite de Inverno, Dionísio Kauffmann, eterno fracassado,
ouve uma voz dentro da cabeça, e a sua vida não mais será a mesma: uma pulga milenar, tagarela e voraz, alojada no seu ouvido, dita-lhe o que deve fazer para sair da sua senda de miséria. Mas a pulga exige algo em troca...       Esta obra, um conto-moral-sem-lição-de-moral, em que o fantástico convive com um humor implacável, confirmou o seu autor como uma referência nas letras ibéricas, atraindo as atenções de pares como Enrique Vila-Matas e Luís Sepúlveda, e conquistando, em 2004, o Prémio Café Gijón.       “É imperativo ler Covadlo. Trágico e precioso, em fascinante convívio com o humor.” (Enrique Vila-Matas)

 

EXISTE UM HOMEM QUE TEM O COSTUME
DE ME DAR COM UM GUARDA-CHUVA NA CABEÇA - Fernado Sorrentino

Existe um homem...

Existe um homem que tem o costume de me dar com um
guarda-chuva na cabeça. Faz hoje justamente cinco anos que ele
começou a dar-me com o guarda-chuva na cabeça. No início não o
suportava; agora estou habituado.
Não sei como se chama. Sei que é um homem comum, de fato
cinzento, algo envelhecido, com um rosto vago. Conheci-o há
cinco anos, numa manhã de calor. Estava a ler o jornal, à sombra
de uma árvore, sentado num banco do bosque de Palermo.
De repente, senti que alguma coisa me tocava na cabeça. Era este
mesmo homem que, agora, enquanto escrevo, continua mecânica
e indiferentemente a dar-me guardachuvadas.

 

 

Embora seja noite - Luísa Soares Barbosa

embora seja noite

 

teu corpo é um arco sobre o tempo / onde o fulgor do silêncio de demora

por isso / se o ofício é vão e imperfeita a idade / a palavra que me habita é onde eu moro

e essa habitação depura em mim / a explicação de toda a liberdade

 

Amantes da Nebelina - Maria do Sameiro Barroso

Amantes da Nebelina

Todas as espirais ascendem e serenam neste livro, reconhecendo à poesia um papel fundamental no conhecimento de si e do mundo, perante os desafios da vida e a inevitabilidade da morte. Esta poesia madura e prenhe de epifanias é genesíaca e onírica, sendo qualquer ponto de fuga recondizido ao mais palpável real. Tal como uma música envolvente. Os Amantes da Nebelina, captam a leitura e nela se adensam e vibram, apontando o rasto de uma "primeira vez". Como toda a Obra de Arte.

Maria Teresa Dias Furtado

 

Doutor Pasavento - Enrique Vila-Matas

doutor pasavento

O herói moral do escritor e doutor Pasavento é Robert Walser, do qual admira a sua preocupação por passar desapercebido, a vida de bela infelicidade que levou e a extrema repugnância que lhe provocavam o poder e a grandeza literária. Perseguir o destino desse escritor significa para Pasavento retirar-se do mundo, como prova a sua caligrafia que se vai tornando cada vez mais microscópica e o leva a substituir o traço da caneta pelo do lápis, porque sente que este se encontra mais próximo do desaparecimento, do eclipse. «Não escrevo para ser fotografado», diz ele em certa ocasião. Quer afastar-se, e um dia desaparece. Acredita que vão investigar, que lhe há-de suceder o mesmo que aconteceu a Agatha Christie quando a procuraram por toda a Inglaterra ao longo de onze dias e acabaram por a encontrar. Mas ao doutor Pasavento ninguém o procura, e pouco a pouco vai-se-lhe impondo esta verdade simples: ninguém pensa nele.
Vamos vê-lo, então renunciar ao eu, à sua grandeza e à sua suposta dignidade, ao ponto de acreditar que encarna por si só a história da desaparição do sujeito no Ocidente. «O que eu quero é continuar a existir sem ser molestado», diz o doutor Pasavento, e logo, de forma contraditória, pergunta-se se será capaz de viver sem que ninguém se lembre, nem sequer remotamente de que ele existe.

 

Retalhos Do Alto Minho - Francisco Sampaio

Retalhos do Alto Minho

No primeira capítulo o A. faz uma abordagem histórica e poética aos treze Concelhos que enformam o Alto Minho turístico. De acordo com o Prefácio do Professor Doutor Amadeu Torres, Viana do Castelo aparece-nos com o conhecido refrão de Pedro Homem de Mello "Havemos de Ir a Viana"; Ponte de Lima (Casas Solarengas, Varandas Alpendradas); Arcos de Valdevez (com o Juíz do Soajo); Ponte da Barca (Baptizados da Meia-Noite); Caminha (Vestida de renda – espuma); Vila Nova de Cerveira (forja de Bienais); Valença (Balcão do Comércio da Região Norte); Paredes de Coura (Terras de boa medida / terras de boa comida); Monção (a Galiza mail’o Minho); Melgaço (a Ceia Medieval em honra de Inês Negra); Esposende (Banho Santo – Banho que vale por sete); Barcelos (a Lenda do Galo / que cantou mesmo); Terras de Bouro (com o Milagre de Santa Eufémia).


Ainda seguindo, Amadeu Torres, o A. dá o "Abre-te Sésamo" para a Romaria das Romarias de Portugal que é a da Senhora d’Agonia. Para seguir ainda com finura e arte - numa espécie de quase prosa poética - desdobra-nos o essencial dos números programáticos da deslumbrante festividade de Agosto a que Viana do Castelo atrai anualmente, vagas sucessivas de forasteiros de perto e de longe.

Dedicado à nossa Gastronomia, faz o A. uma referência ao I Congresso da Confraria dos Gastrónomos do Minho que optou já, nesse ano (1984), de trazer ao vivo e para os restaurantes dos melhores hotéis de Viana do Castelo e de Vila Praia de Âncora a reconstituição de alguns "agapes" que, se partindo de uma cozinha familiar / tradicional merecem, também, ser confeccionada nos respectivos hotéis, cumprindo com a tradição do tempo e das circunstâncias. Assim, tivemos a Ceia do Natal no Hotel do Parque, o Jantar da Cruz, em Domingo Pascal no Hotel Afonso III, a tainada à Pescador em Vila Praia de Âncora, no Hotel Meira. Depois é, igualmente, o trazer ao conhecimento dos leitores o melhor que temos com "Os Passos de Camilo... com Camilo à Mesa"; o Roteiro Gastronómico da Casa Grande de Romarigães na Semana Aquiliana em Paredes de Coura; a recolha do bacalhau à Gil Eanes em homenagem ao barco Gil Eanes agora em exposição permanente na futura Marina Oceânica de Viana do Castelo; a recolha ainda em terras do Bacalhau de "A chorinha" e a sua apresentação pelo restaurante "O Augusto" no XXII Festival de Santarém (2002), a Oração de Sapiência na benção ao Pau de Lodo da Confraria da Carne Barrosã e a Homenagem a Felisbela Meira (Sócia Honorária da Confraria), in Elogio (... e segredos) das Grandes Cozinheiras Minhotas.


Vamos ao reencontro do poeta que já em 1986 lançou dos prelos "Âncora Terra de Mar" agora reeditado e completado neste final de "Retalhos do Alto Minho... Quase um Rumor de Festa". E não sabemos se o autor se inclina mais para Âncora na emotiva saudação à Terra Natal, se na evocação das suas gentes marinheiras para quem nem sempre há ondas calmas e noites enluaradas, mas igualmente (...) tormentas e naufrágios, sorrisos e lágrimas, esperanças e retornos, mercê da Senhora da Bonança.